P: E você busca, de fato, a palavra “exata” para definir essa particularidade [do indivíduo], como Flaubert fazia no passado. Você se definiria como um formalista?
R: Tenho muita reverência pela linguagem - como cada palavra soa individualmente, como ela se relaciona com outras numa frase, como ela se encadeia com a seguinte. Para mim, a linguagem tem tudo a ver com a música. Uma frase, um parágrafo, não devem ser unicamente belos. A prosa, como a música, deve ter uma direção e força comparáveis às sonatas de Beethoven e aos riffs jazzísticos de John Coltrane. Embora não aparentem, todos os meus seis livros são, de algum modo, versões de algum tipo de música. Meu primeiro romance, Uma Casa no Fim do Mundo, era rock’n’roll. As Horas tinha a ver com Schubert e Brahms. Já Ao Anoitecer estaria mais para Laurie Anderson e Brian Eno. Não sei se essa resposta faz sentido, mas cada um desses livros foi inspirado por ritmos de peças musicais.
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